Artigos publicados no Caderno Cultura, jornal Zero Hora.

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Bah, Henrique, ainda bem que eu não li isso antes. Lamentável… Fizeste uma salada impressionante com o que eu escrevi. Acho que entendi por que te sentiste representado pelo artigo da Paula. Assim como ela, tu não entendeste nada do que eu escrevi.
Ambos os artigos são relevantes, Frizon está certo ao afirmar que não são os leitores que mudam o formato da literatura, mas sim os escritores, porém o que talvez ele não tenha considerado é que apenas a partir da aceitação de uma parcela de leitores a tal formato que ele começa a se popularizar. talvez seja isto o que Munari quis dizer.
É algo notável na matéria da Veja, um certo comportamento reacionário e medroso de Frizon quanto as mudanças na forma de trabalhar a literatura, como no caso do hipertexto, é até mesmo numa desaparição do ensino de literatura, isto é o que Munari tenta evidenciar o comportamento radical e trágico de Frizon, apesar de muitos de seus alertas serem relevantes.
Creio que o professor de literatura antes de apenas se concentrar no ensino das letras, tem de se articular com as outras disciplinas, sendo protagonista da tão sonhada interdisciplinariedade, pois a literatura fornece elementos para o debate com a filosofia, a história, as ciências exatas, um profissional das letras, que se concretize apenas como divulgador das letras, prende a própria literatura no mero elemento técnico de uma concepção estética.
Para tal outros suportes, sendo trabalhados com o devido rigor de qualidade, podem tornar não só a litereatura mais interessante, como também enriquecer a leitura de outras formas de textualidade, porém frizon nos da um alerta interessante não adianta enchermos o texto de elementos desconexos e propagarmos uma revolução estética textual, é preciso primar pela qualidade dos elementos respeitando o modelo literário, o visual e o musical. Isto é o mais difícil, todavia é interessante prestarmos atanção nessa possível evolução sem preconceitos, preparados para discussão.
Nem tanto a céu… nem tanto a terra!